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A arte do bootstrapping

dez 17

Acabei de ler o livro The Art of Start que ganhei no amigo secreto. O livro é bom e objetivo. Tudo bem que tem quase tudo no blog do Guy mas o livro reune tudo em um único volume.

O capí­tulo do bootstrapping (autosuficiencia financeira) é interessante. Ele dá dicas de como você pode fazer sua empresa decolar alimentando-se sã de arroz e feijão (as vezes só de arroz). Na verdade dá dicas de como sobreviver aos primeiros dias (descapitalizados) de qualquer startup: escolhendo o modelo de negócio certo, priorizando o fluxo de caixa e chegando imediatamente ao mercado.

Gerencie o fluxo de caixa: Gerenciar para obter fluxo de caixa imediato, não lucratividade, não é algo a ser feito no longo prazo, mas é algo que deve ser feito até você estar sentado em uma pilha de dinheiros.

Despache, depois teste: É importante introduzir o produto no mercado imediatamente. O feedback do mundo concreto que irá guiar sua empresa. É claro que tem suas desvantagens mas você é uma start-up e está  jogando no risco, certo?

Esqueça a equipe com experiência comprovada: Esqueça os veteranos com anos de experiência. Você pode pagar por gente jovem e inexperiente mas com grande talento e energia.

Comece como serviço: Essa é a dica mais interessante. A grande vantagem de uma empresa de serviço é que o fluxo de caixa começa a se movimentar imediatamente. Porém, conseguir que seus clientes paguem por seu P&D deve ser uma estratégia temporária para uma empresa baseada em produtos. A idéia é ser uma empresa de serviço, construir uma linha de produtos, se tornar uma empresa de produtos e agregar serviços ao produto.

Posicione-se contra o lí­der: Você é uma start-up e não tem dinheiro para introduzir seu produto ou serviço no mercado. Posicione-se contra o lí­der e pegue carona na sua notoriedade.

Preocupe-se com o importante: Às vezes gastamos dinheiro ou energia com o que não é importante. Isso é ruim. Mas péssimo é você se preocupar com isso. Foque-se no que é importante e não se preocupe com o resto. Para não restar dúvidas importante é: Desenvolver seu produto, vender seu produto e receber o pagamento por seu produto.

Execute: Estabeleça e comunique metas, meça o progresso, restabeleça um único responsável, acompanhe um problema até eliminá-lo, estabeleça uma cultura de execução.

Essas são algumas das dicas do livro. Depois eu resumo outras dicas da arte de mudar o mundo.

Indústria de Software vai bem… Na Argentina

nov 16

Acabei de ler um artigo falando que a Cessi (Associação Argentina das Empresas de Software), avisou que vai exportar, este ano, US$290 milhões. Adivinha qual a performance brasileira. 1bi? 2bi? 3bi? Errado! 310 milhões.
É isso mesmo! O Brasil tem hoje mais ou menos a mesma performance Argentina em exportação de software. (obs: alias, 80% da nossa exportação é feita por empresas ESTRANGEIRAS baseadas no brasil. mas isso é OUTRO problema).

Como eles podem ser mais competitivos? Será que eles são mais inteligentes? Programam melhor? Os computadores deles são mais bonitos? O cooler deles é maior que o nosso? Errado! A resposta é simples: o governo deles está fazendo mais do que distribuir bolsa-esmola.

O governo argentino está retornando, em crédito fiscal, 70% das contribuições patronais (inss, pis, fgts, bla, bla, bla, etc, etc, etc) sobre o trabalho e perdoando 60% do IR das empresas que investem em pesquisa na área de TI e/ou que exportam produtos e serviços de software. Aaah! Pimba! Os custos deles são 99999% menor que os nossos.
Pra me deixar mais triste ainda, a Argentina espera exportar US$1 bilhão em software em 2014. Não duvido que cheguem lá. O governo de lá já notou que a indústria de software é simplesmente a melhor indústria que um paí­s pode ter, porque não poliu, gera muitos empregos (com altos salários e boa qualidade de vida), muitos impostos e auxilia todas as outras indústrias da paí­s.
Só pra citar o lugar-comum mais lugar-comum quando o assunto é software - ÍNDIA!! -, sabe qual é o impacto do software na economia indiana? Quatro das cinco empresas que mais geram renda na Índia são de software. Só a Wipro, Infosys, Tcs e Satyam pagaram sete bilhões de reais em salários em 2005. Taí­ um paí­s que vai deixar de ser “em desenvolvimento” daqui há pouco…

Outro dia, falando sobre a Índia, o Bruno me falou que lá as aulas são em inglês. Mais ou menos o que o Fábio Fower faz aqui na Unifei, nas aulas de administração. Pode encher um pouco o saco de quem está estudando, mas dão uma vantagem enorme na hora que o cara formar. Inglês é a lí­ngua da tecnologia, my dear.

Bom… Pra terminar, parabéns para os malas argentinos, que irão nos ultrapassar em poucos anos. E um lamento para os coitados que fabricam software no Brasil… Fazer o que? Olhar pra frente e continuar lutando, mesmo com todos esses problemas! E vamos continuar fazendo software, com muita paixão (e café)!

6 erros que matam empresas iniciantes

out 30

O Leandro me passou um link muito interessante: o site do Paul Graham. Assim como você que está lendo, eu também nunca tinha ouvido falar do cara. Eu procurei saber, e li­ que ele é um programador que criou a Viaweb (o primeiro provedor de serviços de aplicações - ASP - da Internet), uma empresa que foi comprada pela Yahoo por $50M.

Eu gostei tanto dos conselhos dele que resolvi fazer um breve resumo do que eu li­ até agora (só fui até os 6 primeiros conselhos, ao todo são 18) [obs: é verdade que eu também estou fazendo isso para treinar para a prova de compreensão de inglÊs, do mestrado].

O primeiro conselho que o sr. Graham dá é simples: crie um produto que as pessoas querem comprar. É óbvio, mas por incrí­vel que pareça é muito fácil você acabar fazendo um produto fantástico que ninguém quer comprar. O prof. Fábio Fower fala muito sobre esse perigo de se “apaixonar” pelo produto que você desenvolve e se esquecer que o mercado é que tem que gostar dele.

Depois que ele dá este primeiro conselho, ele cita alguns erros que podem matar o começo de uma empresa. Aqui estão eles:

-Ser um empreendedor solitário
Dificilmente uma empresa vai pra frente se a equipe de gestão é só de uma pessoa. Ter um sócio é bom para discutir idéias, dividir o trabalho e, principalmente, dar uma força moral nos momentos de crise (que chegam, mais cedo ou mais tarde).

-Estar em um local desfavorável
Existem cidades em que seu negócio simplesmente não vai prosperar. Tente seguir a corrente da sua região. Se for abrir uma empresa de calçados, vá para Franca. Se for abrir uma empresa eletrônica, vá para Santa Rita… E assim por diante.

-Focar um nicho muito especí­fico
As vezes, para fugir da concorrência, o empreendedor escolhe como alvo um nicho muito pequeno. Isto é um erro porque fugir da concorrência é impossí­vel.  É melhor você concorrer por um mercado grande, do que reinar sozinho num nicho insignificante.

-Usar idéias derivadas de outras
Dificilmente prospera uma empresa cuja idéia inicial é simplesmente um melhoramente de um produto já existente no mercado. Crie produtos novos, e não produtos derivados de outros já inseridos no mercado.

-Ter obstinação demais
Não siga cegamento sua idéia inicial. O plano de negócios que você fez antes de começar a empresa pode ser uma bobagem. São muito raras as empresa que alcançaram o sucesso fazendo o que fazem hoje desde sua fundação. É evidente que isto não quer dizer que você tem que jogar seu planejamento fora e deixar a correnteza te levar. Mas o ponto principal é estar sempre buscando novas idéias e não ter medo de mudar os rumos se for preciso.

-Contratar programadores ruins
Muitas vezes os empreendedores tem boas idéias em mente, mas não tem conhecimento técnico para implementar sua idéia. Então, ele contrata programadores para desenvolver sua aplicação. Geralmente o pessoal da área financeira e administratica acha que a parte operacional é sempre muito simples, praticamente um detalhe de seu negócio. Mas o problema é que estes empreendedores também não tem conhecimento técnico suficiente para saber se os programadores que estão contratando são bons o suficiente para colocar a idéia em prática. O resultado disso é que muitas grandes idéias morreram por incompetência da equipe técnica.