Julgamentos

Por Bernardo em Desenvolvimento, Atualidades, Carreira Adicionar comentários

Estou lendo um belo livro do filósofo alemão Hermann Hesse. Hesse se tornou muito popular na Alemanha pós-guerra, pois sua filosofia era baseada na tolerância e na pesada crítica a todas as formas de preconceito, por mais sutis que possam parecer.

Veja que belo trecho:

Quaisquer julgamentos só são dignos de nosso apreço quando afirmativos. Toda critica negativa ou de censura, por mais justa, torna-se falsa, tão logo a externamos. São julgamentos desse tipo dois terços de tudo quanto os homens dizem uns dos outros. Se digo que alguém é vaidoso, avarento ou alcoólatra, cometo uma injustiça. Julgado dessa maneira, qualquer de nós estaria logo liquidado. Segundo esse critério, Jean Paul não passaria de um beberrão; Feuerbach seria um vaidoso; Holderlin, um louco. Ora, quem assim fala terá realmente dito algo válido sobre eles? Terá pronunciado um verdadeiro julgamento a respeito deles? É o mesmo que se alguém dissesse: ” a Terra é um planeta onde existem pulgas”. Tais tipos de verdades constituem a essência mesma de todas as falsidades e mentiras. Só somos de fato verdadeiros, quando afirmamos e aceitamos. Apontar defeitos - por mais que, ao fazê-los, pareçamos sutis e espirituosos - não é julgar: é bisbilhotar.

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Tema por: N.Design Studio. Editado e traduzido por Katiero.
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