A mídia brasileira não ta nem aí. Mas a mídia científica internacional está com a respiração presa, esperando uma nova aparição do cientista Sóstenes Lins.
Pra se ter uma idéia do tamanho do evento que pode estar por vir, talvez o mundo esteja neste exato momento vivendo o começo de uma revolução tão grande quanto aquela provocada por Einstein (com a teoria da relatividade geral) e Descartes (com seu discurso do método).
Um brasileiro (nordestino pra ser exato) pesquisador lá de Recife (UFPE) afirma ter descoberto (e provado matematicamente) que há uma solução polinomial para todos os problemas computacionalmente razoáveis (o que é considerado hoje o maior problema não-resolvido da matemática).
Mas que diabos é isso? De forma bem resumida: Existem dois tipos de problemas: os triviais e os não triviais. Os problemas triviais são facilmente resolvidos, com operações matemáticas simples. Já os problemas não triviais só podem ser resolvidos com algoritmos. E é aí que mora o perigo.
Existem os problemas não-triviais tratáveis. Esses problemas tem algoritmos do tipo polinomial (lembra da quinta série?). Aí é “tranquilo”. Qualquer Pentium 100 consegue liquidar em segundos. Esses algoritmos são tidos como de “classe P”.
Alguns problemas não triviais não tem algoritmos de resolução conhecidos pelo homem. São chamados indecidíveis. Esses aí, a humanidade ainda vai levar alguns séculos pra resolver.

Mas existem problemas intratáveis. São esses o xis da questão. Eles tem algoritmos conhecidos, mas os algoritmos não são polinomiais. Por isto, alguns deles são tão complexos que nosso poder computacional atual não consegue resolvê-los. Esses algoritmos são tidos como de “classe NP”. São esses problemas que demandam super-computadores e que levam horas, dias, anos, séculos para serem resolvidos por uma máquina.
Por isso, os matemáticos estão sempre quebrando a cabeça pra transformar os algoritmos não-polinomiais em polinomiais. E eles tem tido sucesso em vários deles.
Até que um dia alguém perguntou: “peraí! Será que eu consigo transformar QUALQUER algoritmo não-polinomial e um algoritmo polinomial”? Em boa matemática: será que P=NP?
Se for, qualquer problema intratável passa a ser tratável.
E foi exatamente isso que o Sóstenes (disse que) fez.
E o que essa porcaria tem a ver com a sua vida? Tudo!
Você pode até não acreditar em mim. Mas as conseqüências deste teorema podem causar um terremoto e mudar (e muito) nossa vida. Para o bem e para o mal. Nada será como antes: matemática, criptografia, economia, logística, finanças, biologia, astronomia, previsões do tempo… (Veja algumas conseqüências aqui).
Só o Instituto Clay paga 1 milhão de dólares para o primeiro “Zé Mané” que provar que P=NP. Além disso, uma descoberta dessas, fatalmente resultará em um prêmio Nobel, que está na casa dos 2 milhões de dólares. Tudo isso é “trocado” (ou em bom “mineirês”: dinheiro de pinga) perto das implicações econômicas mundiais de tal descoberta.
Assim, esse tal Sóstenes Lins está há poucos meses de se tornar um milionário e o maior cientista brasileiro de todos os tempos (e um dos maiores do mundo). Ou (na hipótese dele ter errado nos cálculos) pagar o maior mico da história da ciência brasileira. Qual é a sua aposta?
20-05-2008 @ 2:31 pm
O Prof Sostenes Lins é muito capaz, e intelectualmente superior… Tudo é possível! Ele certamente tem o meu crédito, o problema é que esta redução não é trivial… Mas, quem sabe Sóstenes tem a carta!…
Recentemente um pessoal da Índia provou que definir se um número é primo está em P… Este problema era NP, ao que se sabia… Talvez uma janela tenha se aberto ai.
Boa sorte ao Sóstenes, estou torcendo por ele…
Marcos Negreiros